Terapia Holística

Será que as pessoas podem mudar?

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Escrito por Maya Lakshmi

Há quase dois anos eu li O tigre na sombra (Lya Luft) pela primeira vez. Nessa época eu nem desconfiava que a vida poderia ser tão diferente e tão melhor do que o cenário descrito pela personagem Dolores. Mesmo já sendo da área da Psicologia, tendo anos de vivência como cliente de psicoterapia e superado uma longa depressão (responsável por tingir de cinza inúmeros momentos da minha adolescência e início da vida adulta), a verdade é que eu me identifiquei com toda a narrativa sombria dessa história. Devo confessar que eu me sentia reconfortada de ler esse livro, pois eu conhecia aqueles sentimentos e, é sempre bom estar caminhando em um terreno já familiar, não é mesmo?

Seguem alguns trechos ilustrativos do universo psíquico de Dolores:

“Sangro esta narrativa como se me escorresse dos pulsos abertos. Quando estavam de bom humor os deuses abriram as mãos e despejaram sobre a terra os oceanos com seus segredos, os campos onde corre o vento, as árvores com mil vozes, as manadas, as revoadas – e, para atrapalhar tudo, as pessoas. Quando lançaram a minha sorte os deuses estavam sombrios. E assim começa esta complicada história.” (p. 14)

Nasci fora do esquadro

Um pedaço de mim

Está sempre sobrando

Não sei caminhar direito

Nem depressa: então

Pedi para voar.

(Mas asas se partem, asas pedem elegância.) p. 26

 

Desde que me lembro alguma coisa em mim dói. (p. 27)

Para algumas pessoas a vida corre pelo avesso. (p. 30)

Mas a ideia da culpa conferia alguma ordem ao meu mundo. (p. 62)

 

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Se você também está se identificando com os sentimentos descritos por Dolores, deixa eu te explicar uma coisa que descobri ao longo da minha caminhada até aqui: é possível mudar e a Vida existe para ser incrível. Talvez, se você se sentir preso de alguma forma, condenado pela história que teve até aqui e acreditar que o mundo é um lugar hostil, denso e que devemos nos conformar com rapidíssimos instantes de felicidade (e olhe lá, isso é para aqueles que ainda têm alguma sorte), vai achar que esse texto não passa de uma ilusão. Mas se você tiver interesse em construir uma vida diferente daqui em diante, se quiser se dar a chance de pensar de uma forma mais libertadora, bem, então estamos na mesma sintonia.

Eu sempre achei que tinha nascido com algum desequilíbrio neuroquímico que me fizesse ter uma vibração, uma polaridade de sentimento e pensamento abaixo da linha da normalidade. É como se quando todos estivessem vendo algo de uma forma positiva eu estivesse deslocada. Carreguei por muitos anos a sensação de não pertencimento.

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Parte disso foi resolvido quando descobri minha vocação profissional: cuidar de pessoas a um nível emocional – até então apenas como psicóloga. Mas algo em mim, bem escondido abaixo da minha consciência, continuou pulsando nessa crença de que eu era mais melancólica que a maioria das pessoas. Não que isso estivesse causando grandes problemas na minha vida. Terminei a faculdade, comecei a clinicar, fui construindo uma forma mais centrada de ver o mundo através da meditação e da reconexão com a natureza.

Nesse nível de vibração emocional, digamos assim, eu já poderia me considerar bem acima do padrão de “normalidade”. Era uma pessoa feliz a maior parte do tempo, mas ainda tinha um plano de fundo de algo sutilmente fora do lugar. Era como se a qualquer momento essa felicidade pudesse ser suplantada pelo meu funcionamento melancólico “natural” (note bem essa palavra).

Há alguns meses eu descobri uma técnica de cura energética chamada ThetaHealing. Só então eu me libertei realmente e escrevo isso com imensa gratidão de ter tido a chance de conhecer essa forma de terapia. É uma honra poder conhecer a mim mesma e ao mundo a partir de uma perspectiva cósmica; sentir e testemunhar curas quânticas acontecendo o tempo todo.

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Meu próximo texto será uma explicação sobre como o ThetaHealing funciona, então vamos voltar para O tigre na sombra que é nosso foco aqui. O que eu tenho descoberto em mim mesma e nos meus clientes é que costumamos ser como Dolores. Nascemos e crescemos nos identificando como sendo de uma determinada forma e parece praticamente impossível existir uma libertação real de padrões tão estruturantes da nossa personalidade. “Se eu sou assim, não tem como mudar, porque não se muda quem a gente é”. Já ouvi essa frase inúmeras vezes e ela me dá arrepios. A verdade é que eu nunca me conformei, no fundo da minha consciência tinha uma voz que dizia que era possível sim mudar e ter uma vida mais plena, independente do passado que se teve.

No final das contas é uma questão de escolha e de encontrar as ferramentas certas. Abrir mão de um velho e enferrujado conceito de si mesmo e experimentar novas formas de estar no mundo. É possível, é a realidade de muitas pessoas e tem sido a minha realidade também. Mas é preciso ter coragem de dar o primeiro passo em direção a essa desconstrução do que se sabia sobre si mesmo e se apegar de forma determinada à criação de um eu real, conectado com a própria essência. O que é natural em cada um de nós (seres infinitos, feitos da mesma matéria que compõe toda a criação) é o bem-estar, a alegria, o amor…

Existem muitos caminhos para essa transformação pessoal. Neste site temos divulgado terapias e dicas de práticas cotidianas que fazem parte da nossa história pessoal e profissional. Mas você precisa encontrar o seu caminho de cura (caso não o encontre por aqui) e nunca deixar de acreditar que uma vida diferente e plena é possível, é real e está a sua espera.

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Foi mágico reler O tigre na sombra e me dar conta do salto quântico que eu dei. Não havia mais a sensação de familiaridade e já não concordei com a forma cinza de Dolores ver o mundo. Agora eu sei pela minha própria experiência que a essência da Vida é abundância de bênçãos, que nossa única missão é sabermos receber esses presentes do Universo e os multiplicar com quem cruzar nosso caminho.

Uma pena saber que existem tantas Dolores por aí, vivendo de forma fria e sombria e acreditando que isso é tudo que a Vida tem para oferecer a elas. Mas que bom saber que os caminhos da cura estão se tornando cada vez mais conhecidos e acessíveis e que faz parte do meu trabalho ajudar outras pessoas a despertarem. Gratidão a você que me acompanha e, ainda que seja um leitor com o qual eu nunca tive a chance de encontrar pessoalmente, saiba que ao ler este texto você está contribuindo para que eu cumpra minha missão de vida. Grande abraço. Ahow!

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Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

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