Psicoterapia

Como vencer a autossabotagem?

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Escrito por Maya Lakshmi

Nosso texto de hoje é sobre dicas de mudança. Por que temos tanta dificuldade em criar novos hábitos saudáveis e eliminar aspectos negativos do nosso comportamento?

Tudo que está escrito aqui foi baseado na maravilhosa entrevista feita por Marie Forleo com Todd Herman. Marie é uma mulher empreendedora, bem sucedida, que tem inúmeras entrevistas com outras pessoas que são exemplos de sucesso em diversas áreas de atuação. Todd Herman é um coach¹ famoso por seu trabalho com atletas de alta performance e com qualquer tipo de pessoa que quer construir uma mentalidade vencedora.

Como essa entrevista não está legendada e eu gostei muito das dicas apresentadas nela, resolvi escrever os principais conceitos que Todd ensina e explicar as dicas como eu as compreendi, para compartilhar com você esse conhecimento, torcendo para que ele te contagie, como fez comigo.

A primeira explicação importante é sobre como nossas células funcionam. Todd é bem claro sobre a necessidade de sabermos que nossas células se replicam e “querem” manter o mesmo padrão de sobrevivência do que elas já conhecem. Então, se você costuma ser uma pessoa estressada, raivosa, sedentária ou seja lá o que for, você tem alimentado suas células com o hormônio cortisol de uma forma desequilibrada, e mesmo que nenhum desses padrões sejam positivos, seu corpo não entende essa diferença e fica pedindo pela mesma dose diária de cortisol. Quando você tenta mudar um padrão, mesmo que a mudança seja para muito melhor, como a implementação do hábito de fazer exercícios, seu corpo vai reagir de forma a eliminar os novos hormônios que estão sendo liberados, como a dopamina e a serotonina.

Esse processo de mudança biológica é o que ele chama de período de incubação. Nessa fase de transição é libertador ter o conhecimento de que o mal-estar e a resistência em criar uma mudança saudável na sua vida é fruto de um processo natural. Lembre-se de que suas células não entendem o quanto você precisa dessa mudança, o quão ruim é manter aquele velho padrão de funcionamento, elas simplesmente querem se manter na zona conhecida. Afinal, foi esse padrão que as manteve vivas até ali. Então, nesse período, é previsível que você se sinta estranho, desanimado, lutando com um leão por dia para conseguir implementar uma mudança consistente em sua vida, como meditar ou se exercitar.

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O segredo: continue

É nesse período de transição que ocorrem as maiores autossabotagens da sua vida. Você provavelmente lembrou agora mesmo de uma época em que se prometeu uma mudança, deu início a ela e inventou motivos para parar, não é mesmo?

A grande questão por detrás dos profissionais que trabalham com mudança de pensamento é te fazer acreditar que a mudança é possível, em primeiro lugar e, só depois que uma parte sua se compromete a dar esse passo, fornecer as ferramentas de treino diário para te manter firme durante o processo.

Mas nenhum desses discursos motivacionais e técnicas disponíveis aos montes no mercado do desenvolvimento pessoal irão funcionar para você se sua postura for cética, passiva e descomprometida com a própria mudança.

Outra parte importante da entrevista é a distinção que Todd faz entre dois tipos de pessoas:

  1. “OWW brainers” – pessoas com uma mentalidade mais ligada aos campos de percepção de dor do cérebro. São aquelas que diante de qualquer desafio se sentem desencorajadas, receosas e se apegam a conceitos antigos acerca de si mesmas de forma muito limitante. Elas acreditam que são de uma determinada forma e que, ainda que uma mudança fosse possível, exigiria uma quantidade de esforço do qual não são capazes.
  2. “WOW brainers” – pessoas que reagem com empolgação, deslumbramento diante de mudanças e desafios. Elas são capazes de se comprometer e se manter motivadas durante o período de incubação de um novo hábito, porque a perspectiva que alimentam acerca de si mesmas é a de capacidade. Mesmo que elas já tenham fracassado algumas vezes no passado, a grande diferença aqui é o de não se apegar a esse histórico como sendo uma verdade imutável.

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Como Todd esclarece, não existe uma pessoa que seja 100% responsiva ao mundo como OWW ou WOW. Em algumas áreas reagiremos com mais motivação do que em outras, mas em cada um de nós existe um padrão mais dominante. E o que eu percebo é que essa diferenciação é realmente significativa em relação à história que contamos sobre quem somos. O segundo tipo de mentalidade é o que torna possível acreditarmos que somos capazes de mudar, que somos capazes de construir uma nova vida.

Se você se identificou como sendo um OWW brainer a maior parte do tempo, a boa notícia é que só precisa mudar seu paradigma de pensamento. Não há correntes internas que não possam ser quebradas por você mesmo. Note que falei você mesmo, porque ninguém tem o poder de entrar na sua cabeça e girar o botão da frequência desânimo para entusiasmo

Todd ainda categoriza três manifestações de OWW brainer: (1) sentir-se preso a um padrão; (2) sentir-se entediado e (3) ter a necessidade de permanecer numa zona conhecida de “segurança”. Esse terceiro item é a famosa zona de conforto. E por mais absurdo que seja pensar na nossa capacidade de permanecer num hábito negativo, contra todo conhecimento racional do quanto aquilo nos faz mal, é esclarecedor saber que nossas células estão apenas tentando manter um padrão conhecido e garantido de sobrevivência. Cabe a nós ensiná-las que outros padrões são possíveis e até bem mais agradáveis que os antigos. Passamos anos construindo hábitos ruins (o mais nocivo de todos se chama pensamento negativo, nunca é demais lembrar), você terá que se comprometer com a mudança para transformar uma frequência enraizada.

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As três manifestações dos WOW brainer são: (1) sensação de crescimento; (2) autoconfiança e (3) aventura.

Ele faz as seguintes combinações para explicar a diferença entre os padrões dessas duas mentalidades:

  1. Crescimento + confiança criam momentum – que é oposto ao sentimento de prisão
  2. Confiança + aventura criam entusiasmo – que é oposto ao sentimento de tédio
  3. Crescimento + aventura criam transformação – que é o exato oposto da zona de conforto e segurança que os OWW brainer mantêm.

Por fim, os cinco passos que Todd ensina para mantermos uma mudança em nossas vidas são:

  • Ter uma visão clara da mudança, através da criação de passos tangíveis do caminho de transformação que está sendo implementado. É preciso eliminar a incerteza sobre a mudança e criar uma sensação de possibilidade, de segurança sobre a jornada que você está empreendendo.
  • Estabelecer metas de gatilho, focando nelas e se congratulando por ter conseguido cumprir uma pequena mudança de cada vez, sem ansiedade sobre a mudança geral que está buscando. Então, se você quer começar a acordar mais cedo todos os dias, comece deitando mais cedo, mesmo que você vá passar horas na cama sem ter sono e se apegue ao sucesso de cada mínima vitória. Aos poucos você “naturalmente” terá implementado o hábito de dormir mais cedo e, consequentemente, de acordar mais cedo.
  • Estabelecer metas de melhoria, tornando palpável sua evolução. Uma boa ideia é criar uma tabela com as metas que compõem cada passo da mudança que você quer atingir, e ir preenchendo seu desempenho diário, semanal ou mensal para essas metas. Essa tabela funciona como uma mapa da sua mudança. Ela é uma ferramenta essencial para que você possa acompanhar, revisar e ter uma visão mais clara de como está seu comprometimento, rendimento e de que forma você pode realinhar essas metas para que elas sejam eficazes para você. O parâmetro é seu e não o de outras pessoas, então você precisa ser capaz de rastrear seu desenvolvimento, entender como está indo seu processo de uma forma clara e objetiva.
  • Reunir uma tribo: compartilhe sua jornada com pessoas que já passaram por algo semelhante ou com um grupo que vá te apoiar na fase mais densa do período de incubação. Um grupo que reconhece seus esforços tem uma valor incrível na conquista das suas metas. Você pode criar uma tribo virtual, entrar para algum grupo online de dicas e debates sobre o aspecto específico do seu processo de transformação.
  • Escrever seus contratempos: o último passo é pensar e escrever todas os possíveis desafios que você vai enfrentar nessa jornada. Por exemplo, se o que você quer mudar é a sua alimentação, planeje o que você vai fazer com as armadilhas que te rodeiam, como os convites para rodízios, doces que seus amigos sempre te oferecem e assim por diante. Visualize-se recusando esses convites, crie estratégias de resolução para esses momentos, para que você não caia em uma situação inesperada e acabe indo para o seu velho padrão de resposta.

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Ufa, esse texto rendeu bastante. Nada mal para uma “simples” entrevista de 25 minutos. Espero ter podido contribuir para a sua compreensão sobre a tão falada autossabotagem e ter te contagiado com a realidade de que toda mudança é possível de ser realizada. Você não precisa ser a velha história que conta sobre si mesmo. Reinvente-se!

  1. “O Coach é o profissional especializado no processo de Coaching. Pode ser considerado um treinador que assessora o cliente (Coachee), levando-o a refletir, chegar a conclusões, definir ações e, principalmente, agir em direção a seus objetivos, metas e desejos. A essência do Coaching está em fornecer suporte para que o indivíduo aprimore, se transforme e evolua. Assim como, auxilia-o a seguir na direção certa para seu estado desejado. O processo de Coaching cria consciência, potencializa a escolha e leva à mudança.” – Definição do site http://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching/o-que-faz-um-coach-2/

Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

4 Comentários

  • Muito bom o texto Swu, nessa semana assisti uma entrevista com o Anthonny Robbins que ele fala de algo bem semelhante com o foco de identificação e eliminação dos rituais que sempre fazemos e por muitas vezes defendemos e nos faz permanecer nessa vida cinza por mais que em breves momentos não enxerguemos assim!

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