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Você aceita mudar?

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Escrito por Maya Lakshmi

Aos 36 minutos e 24 segundos do excelente filme “Eu Maior (2013)”, o filósofo Mário Sérgio Cortella disse as seguintes palavras:

Quando alguém me pergunta: ‘você mudaria algo em você?’ Eu digo: ‘sempre, claro! E com alegria’. Porque se há algo que me chateia é quando alguém diz, depois de me encontrar depois de um ano: ‘Cortella, você continua o mesmo!’. Você já imaginou, no mundo de mudanças, de alteração de processo, eu ter ficado congelado? Se tem uma ideia que eu detesto é ter uma vida formol em que eu congele alguns cadáveres. Para usar uma frase antiga: ‘Não me envergonho dos homens que fui, mas eu gosto de lembrar que eu já tive muitas vidas, que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina a gente não nasce pronto e vai gastando, a gente nasce não pronto e vai se fazendo.

Depois ele ainda diz: “você ser do mesmo modo, de uma maneira persistente, não é sinal de coerência. É sinal de tacanhice mental.”

Genial, não é?

Estamos em agosto, talvez suas promessas para 2016 já estejam acumulando poeira e os velhos e enferrujados hábitos já voltaram ao seu ritmo insatisfatório tão conhecido. Todo início de ano condensa a energia que bilhões de pessoas, corações e mentes depositam nesse marco simbólico e isso nos ajuda a captar essas vibrações e encarnar em nós o impulso para mudança. Talvez por isso pareça tão fácil acreditar numa nova versão de nós mesmos nessa época do ano.

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Contudo, o que quero dizer com isso é que um ano é composto de muito marcos simbólicos de recomeço. O dia do seu aniversário, o dia em que você retorna ao mar depois de um bom tempo ou é apresentado a esse mistério oceânico pela primeira vez. Um banho de chuva, espontâneo ou não, que marca seu dia como uma limpeza energética; o momento em que você se compromete com seu autoconhecimento, seja através do início de uma prática meditativa ou iniciando uma terapia, começando uma atividade física prazerosa que redesperte a força da sua criança interior.

Enfim, são inúmeras possibilidades.

Muitas dessas que eu citei fazem parte do meu imenso arcabouço de símbolos de recomeço, pois valorizo incessantemente essa dádiva da Vida.

Tenho ainda outras cartas na manga, veja só:

O primeiro arco-íris que você vê no ano. O dia em que você encontra um novo amigo ou um novo amor. O dia em que você inicia um trabalho diferente, adota um gato ou acrescenta uma plantinha ao seu mundo. Aquele momento adiado de fazer uma reforma no seu quarto, no seu armário – e se permitindo doar o que já não combina com quem você é ou quer ser a partir de agora. O dia em que você inicia um diário, seja pela primeira vez ou pela décima.

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Poderia passar muito tempo escrevendo sobre tudo isso, mas é fato que você já deve ter percebido o quanto janeiro, por si só, não carrega a exclusividade de demarcar mudanças que você almeja inaugurar. Estamos sempre fazendo algo novo, sempre nos redescobrindo. Precisamos apenas ficar de olho nessas infinitas possibilidades e, quando sentirmos um desejo forte de ir além da pessoa que somos hoje, termos a capacidade interna de provocar essa mudança e criar nossos rituais particulares dos avanços que somos capazes de fazer.

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Você consegue aceitar que mesmo a sua melhor versão não precisa ser contínua até o fim da sua vida? Às vezes nós já andamos tanto que quando chegamos num certo degrau de evolução parece que já é o topo e que só precisamos focar em manter assim. Mas não existe topo de nada, a vida é movimento, crescimento, evolução constante. E mesmo que pareça que algum aspecto da sua vida está estático há anos, acredite, não está. A mudança às vezes é tão sutil que não captamos ou, de tão acostumados a um ritmo lento desacreditamos do nosso potencial de mudar o jogo de um dia para o outro. Mas isso também é real, carregamos dentro de nós essa capacidade de fazer novas escolhas e redirecionar nosso destino.

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Primeiro você precisa querer, depois precisa se comprometer em deixar o que é velho e aprisionador para trás e buscar construir uma vida realmente significativa. O seu potencial está aí, só precisa aceitá-lo, acessá-lo e esculpi-lo todos os dias a partir dessa decisão de mudança. Eu acredito em você e em toda uma mudança planetária para melhor, mas como tudo que nos cabe é fazer a nossa parte, garanto que estou buscando as minhas mudanças necessárias, aceitando e seguindo o meu fluxo de evolução. Nem sempre é fácil nos despedir de velhos modelos e padrões, mas nós sabemos quando o tempo de avançar chegou mais uma vez, não é mesmo?

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Não pare até ficar orgulhosa

P.S.: Depois eu falarei mais sobre o filme ‘Eu Maior’, na sessão de cinema ;-]

Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

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