Literatura Psicologia Transpessoal

Eu mascarado e Eu observador

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Escrito por Maya Lakshmi

Chegamos ao final dessa série sobre o livro Gente que mora dentro da gente!

Depois de falarmos sobre nossa criança interior, nosso monstro e nossa luz, vamos finalizar essa jornada com dois ‘Eus’ igualmente importantes. O primeiro deles é o Eu Mascarado. Huumm, você sabe muito bem sobre o que estou falando, não é mesmo? Máscara é isso que você provavelmente está usando agora mesmo. Todos nós criamos falsas personalidades para nos encaixarmos na sociedade, e fazemos isso porque temos medo que os outros descubram que carregamos um monstrinho dentro de nós.

Esse processo começa desde a nossa infância, quando percebíamos que nossos pais ficavam bravos com a gente, quando queríamos a atenção deles por algum motivo, quando tivemos nosso primeiro dia na escola e tivemos que fingir que não estávamos morrendo de medo. Aos pouquinhos vamos moldando uma máscara que não seja muito desconfortável e achamos que os outros estão acreditando piamente que aquele papelão pintado com tinta guache é o nosso rosto de carne e osso. Mas acontece que não temos como impedir que o nosso Eu inferior coloque suas garras para fora da máscara, afinal de contas ele solta um cheiro forte e desagradável, por isso, mesmo que os outros não consigam dizer exatamente o que tem de errado, eles sentem que tem algo estranho com a gente.

Como a maioria de nós usa máscaras, vamos nos acostumando e achando que a vida é assim mesmo, que temos que carregar essa falsa parte de nós para todo lugar. Quando ficamos sob o domínio desse Eu mascarado nós nos sentimos cansados e entediados o tempo todo, é como se a vida, que deveria ser vibrante, ficasse anestesiada.

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Quem sou eu? Nunca soube exatamente.

Como identificar quando esse Eu está atuante? Veja se você tem dificuldade em dizer ‘NÃO’ para solicitações que, de fato, não lhe interessam; observe se você está se sentindo isolado, separado do mundo; você cobra muito de si mesmo e ainda assim acha que nunca será bom o suficiente? É… Se suas respostas foram positivas, então está na hora de começar a se livrar dessa máscara e redescobrir a alegria que há em ser simplesmente quem você é.

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Ao perceber o Eu Mascarado em ação, para se libertar e recuperar a vida, você vai precisar parar de fingir, parar de mentir, parar de tentar agradar, parar de tentar ocultar o que considera feio em você, parar de se esconder, parar de tentar controlar o rumo das coisas, parar de tentar ser perfeito. Terá que admitir que não é tão amoroso, tão poderoso ou tão equilibrado quanto gostaria. Terá que correr o risco de desapontar as pessoas e de que elas não aceitem, ou nem mesmo gostem de você. (pg 131)

Como o Eu Mascarado é o único que realmente não faz parte de você, é puramente uma criação artificial, ele é o único inquilino que tem de ser expulso. Claro que a vida em sociedade nos pede ações que divergem do que gostaríamos de expressar. Não tem problema ser educado quando se está com raiva, por exemplo, a grande questão aí é que você saberá qual seu verdadeiro sentimento, usará uma máscara de forma consciente, sem se misturar com ela, sem se perder de si mesmo: sem precisar dela.

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Mas como saber disso tudo, como diferenciar o que é falso e verdadeiro dentro de nós? O único caminho é através do Eu Observador. Ele é a parte que consegue saber quem está atuando e encontra a melhor solução disponível no momento.

Se você um dia perceber seu Eu Inferior aprontando das suas e uma parte sua gritar: “Ei, monstrengo… pare de morder os meus sapatos!!! Você é mesmo mau, não? Volte para sua droga de caverna e me deixe em paz!” Tenha certeza de que essas palavras não foram de seu Eu Observador. O Eu Observador diria: “Ah! Aí está você de novo, não é? Ainda precisamos curar você!”. (pg 112)

Dois caminhos ótimos para fortalecer esse Eu tão importante são a meditação e a escrita. Meditar é aquilo que você deve estar cansado de saber: dê uma tarefa para a sua mente (focar na respiração, numa música, na chama de uma vela…), enquanto você executa essa tarefa vai perceber que váaaaarios pensamentos ficam pulando na sua tela mental. Não tem problema algum nisso, a chave da meditação é se identificar com a parte estável desse processo, justamente com o Eu Observador, e perceber que esses pensamentos (sejam eles provenientes da sua criança, do seu monstrinho de estimação ou da sua luz), são só pensamentos e não verdades universais. E pensamentos podem ser mudados!

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A escrita funciona tanto se você fizer um diário quanto se anotar apenas as situações que despertaram sentimentos que precisam ser curados. Escrever é se observar de uma forma mais intensa e realista do que  apenas falando para outras pessoas ou só pensando. Além disso você fica com um registro importante que será fonte de rica consulta para seu autoconhecimento.

Outra forma muuuuito eficaz é a psicoterapia. A disciplina que um processo terapêutico finda por incluir na sua vida é algo muito significativo. De que outra forma você dedicaria 50 minutos por semana para se observar e cuidar de todos os seus ‘Eus’? Além disso, um psicoterapeuta tem ferramentas que vão te ajudando a se ver de uma forma mais eficaz. Neste texto aqui eu expliquei direitinho que é a psicoterapia, dá uma olhada.

Então, meus queridos, é (tudo) isso que eu tinha para compartilhar com vocês desse livro incrível. Espero ter podido trazer mais consciência e inspiração para o seu processo de despertar. Sempre que precisarem, sabem onde me encontrar =]

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Mais quieto você se torna, mais você pode ouvir

Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

3 Comentários

  • Mayara que texto sensacional, tenha certeza que me ajudou muito a identificar em que situação estou. Tenho uma dúvida sobre o texto, quando você escreve sobre identificar quando esse eu-mascarado está atuando, quando dizemos não a chamados ou convites dos quais realmente não queríamos participar, estamos deixando de lado esse traço?
    Obrigado!

    • Ter dificuldade em dizer ‘não’ para o que não nos interessa é um indício de que estamos usando uma máscara, porque não queremos desapontar alguém, porque queremos manter uma determinada imagem, mesmo que o preço disso seja fazer algo que não queremos. Acho que a sua dúvida surgiu da forma como eu tinha escrito essa sentença, que estava confusa mesmo, então obrigada por essa revisão de texto não intencional ^^

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