Literatura Psicologia Transpessoal

Eu Superior e Eu Inferior

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Escrito por Maya Lakshmi

Este texto é a continuação do artigo sobre Eu Criança, no qual eu expliquei um pouquinho sobre o método de autoconhecimento Pathwork e sobre o livro Gente que mora dentro da gente. Hoje decidi abordar os dois ‘Eus’ mais falados no universo da psicoterapia e espiritualidade (direta ou indiretamente).

Quando falamos sobre luz e sombra, por exemplo, estamos abordando esses ‘Eus’ que nos habitam. Isso acontece porque o conhecimento contido no Pathwork não se limita a nenhuma escola de psicoterapia ou religião, se trata muito mais de uma elucidação sobre a natureza humana, sobre como podemos olhar para quem somos de uma forma real e usar esse conhecimento para evoluir. Unindo uma visão mais ampla e profunda do ser humano, o Trabalho do Caminho nos ajuda a enxergar facetas nossas de uma forma bastante esclarecedora.

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Pois bem, mas o que significa Eu inferior e Eu superior, afinal de contas? Essas duas facetas significam apenas que nós possuímos aspectos extremamente positivos, qualidades humanas de ordem elevada, bem como ainda temos sentimentos destrutivos (a um nível pessoal e coletivo). Essa dualidade precisa ser pacificada para que possamos purificar o nosso Eu inferior e, cada vez mais, viver a nossa “melhor versão” o máximo possível, em todas as esferas da nossa vida.

No livro Gente que mora dentro da gente, a autora usa uma história de fantasia para que fique mais fácil entender porque temos tantos ‘Eus’ nos habitando. Ela conta que uma estrela tinha muita vontade de ter uma experiência humana, poder correr, nadar em rios, subir em árvores, estudar, ter filhos… Quando ela pediu permissão para viver essas aventuras aqui na Terra, o Guardião do nosso planeta (também podemos pensar em Gaia, a mãe-natureza), disse que ela poderia encarnar aqui com uma única condição: ajudar na purificação dos males da Terra, colocando a sua luz em muitas sombras. Mas como ela faria isso? Muitos simples, junto com o corpo ao qual ela teria direito de usufruir por um tempo, sentimentos como medo, rancor, ódio e tristeza, dentre outros, foram adicionados.

Aí o Guardião da Terra separou uns vidrinhos com tudo que a estrela tinha pedido, misturou com um pouco da terra do planeta, moldou bem e colocou a estrelinha lá dentro. Depois cuidou para que esse molde fosse encaminhado para a família mais adequada, uma família que ajudaria a estrela a cumprir o que tinha prometido durante sua estadia aqui. Assim nascemos, poeira de estrela disfarçada de gente, andando por aí. (pg 40)

À medida que vamos crescendo, a Vida vai apresentando situações específicas para que tenhamos oportunidade de colocar nossa missão em prática. O único problema é que, muitas vezes, ficamos identificados com esses sentimentos negativos e achamos que somos eles. É por isso que criamos o Eu Máscara (do qual falaremos no último texto dessa série).

large (7)Achamos que somos maus, preguiçosos, mentirosos, medrosos e um monte de outras coisas ruins. Esquecemos nossa origem cósmica e perdemos muitas oportunidades de purificar esses sentimentos. Entendam: só podemos curar aquilo que sentimos e damos atenção. Toda vez que nos deparamos com essas sombras que nos habitam é a nossa oportunidade de jogar luz, consciência e amor nelas. Essa é a nossa missão!

Patrícia Gebrim trata esse amontoado de sentimentos negativos como sendo um monstro que mora dentro de nós. Uma vez que ele faz parte do corpo que o Guardião da Terra nos permitiu usar, nós não podemos matá-lo e o único caminho para termos paz interior é aceitá-lo, abraçar esse monstrinho e dar um pouco de carinho para ele toda vez em que ele ficar raivoso, barulhento e começar a querer atacar a nós e a todos que nos rodeiam.

Ignorar sua existência só o torna mais forte e irritado, então não faça isso. Não precisa ter receio de admitir para si mesmo que tem esse monstro morando aí dentro, TODAS as pessoas do mundo possuem um Eu inferior também. A única diferença é que algumas já estão cuidando de seus monstros há mais tempo, enquanto outras estão apenas começando.

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Fazer as pazes com nosso Eu inferior é um processo diário. Vai ficando mais fácil a cada dia, acredite, mas mesmo assim você nunca mais vai poder deixar de dar atenção e uma dose de amor para essa sombra, senão ela volta a crescer e a destruir tudo que vê em seu caminho. Talvez você esteja se perguntando o que fazer quando se deparar com uma manifestação desse Eu, então já vou adiantar um exercício muito eficaz, é só seguir esses passos:

  1. Um sentimento de Eu inferior surgiu, digamos que seja ciúme. O primeiro passo é permitir que a sua consciência reconheça esse ciúme, se responsabilize por ele. Se responsabilizar significa aceitar que você está sentindo isso, não é seu parceiro ou parceira que detém a culpa, ainda que talvez algo externo tenha acontecido para despertar esse sentimento, ele está sendo sentido por você, ou seja, só você pode tomar conta dele.
  2. Respire fundo, vá para um lugar tranquilo, fique sozinho por alguns instantes. Deixe esse sentimento aparecer em toda sua forma, sem julgamentos. Veja seu monstrinho como ele realmente é. Escreva sobre isso, desenhe, faça uma música e, se nada disso for possível, simplesmente não barre a manifestação desse sentimento. Aceitar, além de reconhecer sua existência, é saber quais são suas dimensões.
  3. Muitas vezes, um ciúme, uma raiva, uma inveja, são só as pontas de um iceberg, de uma insegurança profunda, por exemplo. Faz parte do processo de cura começar a ir mais fundo e saber a origem desses sentimentos.
  4. Revelar seu Eu inferior é o melhor caminho para não ser submisso a ele. Você não pode deixar seu monstro solto para atacar outras pessoas, precisa dar limites e parar de deixar que ele comande suas ações. Então, quando alguém chegar perto de você e seu monstrinho estiver muito agitado, permita-se dizer: “olha, não estou me sentindo muito bem agora, preciso de um momento sozinho”. Dessa forma você tira boa parte da energia de ação do Eu inferior, o reconhece, mas não precisa agir através dele.

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Vamos para a parte mais iluminada que nos habita agora, para nossa origem: Eu superior. Patrícia Gebrim fala que devemos mergulhar o mais fundo que pudermos, sem nunca perdermos nossas asas. E é exatamente isso. Nossas almas são livres, nossa essência é a de seres alados que estão tendo uma breve experiência num corpo humano, num planeta cheio de mistérios e possibilidades de crescimento. Tente se lembrar disso nos dias difíceis, tente lembrar que este corpo, este nome, sua família, sua profissão, tudo isso são os melhores instrumentos que você poderia ter para tornar sua passagem pela Terra a mais proveitosa possível.

E como fazer para se aproximar cada vez mais dessa luz que te habita? Silêncio, imaginação e gratidão.

Silêncio: pratique a arte de estar sozinho, se permita parar, nem que seja um minuto por dia. Quando você aciona sua vontade de entrar em contato com seu Eu superior, ele sempre aparecerá para você. Talvez no início seja difícil, porque faz tempo que você esqueceu dessa luz essencial, mas peça que esse Eu se manifeste e procure calar o frenesi dos seus pensamentos por um instante, esse é o primeiro passo para reconhecer sua presença.

Imaginação: nosso corpo e tudo ao nosso redor é energia congelada. A imaginação é como um vapor quentinho que coloca essa energia para se movimentar. Imaginar é colocar sua energia para trabalhar por um objetivo específico. Se você quiser, pode recriar toda sua realidade usando esse poder mágico. Antes de dormir, imagine que seu dia será ótimo, se veja realizando coisas que sejam significativas para você e, aos poucos, essas imagens começarão a se tornar palpáveis. Se imagine sendo uma pessoa mais paciente, mais corajosa, se veja vencendo obstáculos que hoje parecem gigantes para você. Peça a ajuda do seu Eu superior, convoque essa luz e você verá o quanto se sentirá mais forte e tornará essa mudança pessoal em uma bela história para contar =]

Gratidão: você passa a maior parte do seu tempo pensando e falando de coisas boas ou ruins? A arte de cultivar a gratidão é uma das mais transformadoras que existe. Acredite no que estou dizendo, quando você muda o foco da sua atenção para as bênçãos que possui, ao invés de reclamar o tempo todo do que gostaria que fosse diferente, o mundo ao seu redor ganha cores mais vibrantes e tudo flui em harmonia. Agradecer é algo que muda seu padrão vibratório para um pólo positivo e realizador. E não sei se você sabe, mas uma das leis universais é a da atração, que significa, basicamente, que temos o poder de atrair para nós aquilo vibramos, sentimos e pensamos. Ser grato é um exercício de atenção constante, principalmente porque vivemos numa sociedade extremamente negativa. Já reparou que notícia boa não rende assunto? Pois é, cabe a você escolher onde vai focar sua energia.

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Para finalizar esse texto eu só gostaria de lembrar a você que a Vida é um fluxo constante de mudanças. Nascer, por exemplo, é o primeiro passo que damos para fora da nossa zona de conforto (e bota conforto nisso!). Mas o que aconteceria se um bebê soubesse dos desafios que existem no mundo fora do útero? Provavelmente ele sentiria um pouco de medo, não é mesmo? Mas ele também perderia toda a diversão e ficaria preso numa bolha (literalmente). Só que mesmo que ele pudesse escolher ficar dentro do conforto materno, como a Vida está sempre nos levando em direção ao crescimento, ele morreria.

Isso mesmo. Quando nos recusamos a mudar, quando insistimos em ficar agarrados a nossa zona limitadíssima de conforto, nós sofremos e estamos matando nosso potencial, estamos impedindo nossa estrela de realizar sua missão. Então, acredite na força da mudança, ela está acontecendo o tempo todo, é só você que não estava prestando atenção ainda. Nessa única vida você já foi um bebê, já teve dentes de leite, já teve um medo danado do seu primeiro beijo, já levou infinitas quedas até aprender a andar e continua aí, firme e forte para dar o próximo passo: despertar.

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Permita-se, confie e vá adiante, você não está sozinho. Todos nós somos buscadores, todos nós somos viajantes com um propósito maior.

No próximo texto falaremos sobre o Eu máscara e o Eu observador. Fique atento para não perder o encerramento dessa caminhada por nossas facetas internas ^.^

Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

4 Comentários

  • Essa série sobre “Gente que mora dentro da gente” está maravilhosa! Amei as dicas de como lidar com nossos monstrinhos internos, certamente ignorar que eles existem é a pior escolha – pois eles não deixarão de estar ali, e ficarão cada vez mais fortes.
    Mas temos o nosso Eu Superior e essa consciência de que somos infinitos nos possibilita uma vida grandiosa! Gratidão por partilhar dessa riqueza de conteúdo!

  • Curioso ver como essa abordagem de estudo lembra algumas filosofias orientais… coisas como “um problema só pode ser concertado se eu admiti-lo” ou ” observe o sentimento mas não se identifique com ele, assim você deixará ele fluir mas ainda terá controle” .

    Influência direta ou não nos estudos Pathwork, não deixa de demonstrar uma abordagem bem mais humana para problemas que todos possuem.

    Quando li Pathwork… o seu significado… não pude deixar de não lembrar uma citação de Myamoto Musashi do livro Gorin no sho( O livro dos 5 anéis) : “Primeiro, você está a buscar o caminho, depois de encontra-lo: você o trilha , e enquanto está realmente trilhando-o , tu serás o caminho” .

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