Literatura Psicologia Transpessoal

Gente que mora dentro da gente: Eu Criança

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Escrito por Maya Lakshmi

‘Gente que mora dentro da gente’ é um livro fabuloso e eu diria que, além de ter se tornado um dos meus preferidos, ele é um precioso manual para o nosso autoconhecimento. Não é à toa que o tenho indicado para meus clientes e amigos.

Tudo que eu aprendo e que me ajuda nessa caminhada de ser o que se é, nessa busca por um caminho autêntico, eu acabo incorporando nos meus atendimentos. Tenho aceitado que não consigo separar o meu caminho pessoal do profissional, eles estão entrelaçados no mesmo propósito de realização, vibram na mesma sintonia. Indo além do que algumas escolas de Psicologia podem pregar sobre a neutralidade na clínica, isso é o que funciona para mim, porque o trabalho em que eu acredito é aquele feito sem máscaras.

Falando em máscaras, nós já entramos no tema do livro de Patrícia Gebrim. Ela é psicoterapeuta e tem vários livros publicados sobre temas que rondam o desenvolvimento pessoal. Patrícia trabalha com o método de autoconhecimento chamado de Pathwork, que pode ser traduzido como O Trabalho do Caminho.

Que caminho? Ora, o caminho de despertar para nossa essência sagrada, para os nossos anseios e qualidades superiores. É o caminho de transcender as sombras que nos habitam e que nos impedem de viver o nosso propósito espiritual. Por espiritual entenda que eu falo de aspectos imateriais da nossa existência, essa palavra não se refere a nenhum tipo de crença religiosa. Espírito significa aquilo que é desprovido de materialidade, então, se você acreditar que sua essência, quem você de fato é, está além das conexões que seu cérebro é capaz de fazer, você acredita no espírito. E tudo que se refere a essa essência nós chamamos de espiritualidade.

ImagePretendo escrever mais textos abordando essa temática da espiritualidade dentro da Psicologia. Mas por hoje vamos focar no livro Gente que mora dentro da gente. Baseada no arcabouço teórico do Pathwork, Patrícia Gebrim usa uma linguagem lúdica e bastante clara para falar dos inquilinos que habitam nossa mente e nosso corpo.

Eles são: Eu criança, Eu inferior, Eu mascarado, Eu superior e Eu Observador. Para cada um desses “eus” a autora vai descrever o seu processo de formação na nossa psique, os pontos positivos e negativos e uma forma de nos harmonizar com cada um deles.

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Este livro é tão rico que será muito melhor se falarmos com calma de cada um desses seres que nos habitam e, para este texto não ficar muito longo, falarei aqui apenas do Eu criança e nos próximos textos eu falarei dos demais. Estamos combinados? Então não deixe de acompanhar a nossa página no facebook e assinar nossa newsletter para ser avisado das novas publicações e não perder o fio da meada ;-]

Todos passamos pela infância, mas pouco lembramos da criança que fomos, não é mesmo? Patrícia nos ajuda a relembrar essa parte tão importante de nós (na qual tantos dos nossos medos e sonhos foram forjados) e a prestar mais atenção a essa faceta de nós que ainda está muito viva, não importa a idade que você tenha hoje.

Estamos em paz com a nossa criança quando aceitamos que nem tudo pode ser controlado, que é chato demais ter um roteiro para tudo que fazemos no nosso dia, quando nos permitimos ser espontâneos e criativos. Mas, na maioria das vezes, nós queremos pertencer ao mundo dos adultos de uma forma enrijecida, adormecemos nossa criança bem no fundo do nosso coração e não queremos dar ouvidos aos seus anseios por mais cor e movimento. Quando isso acontece, nosso Eu criança fica bem chateado e tenta chamar nossa atenção da pior maneira possível.

Isso não é difícil de entender, é só você observar as crianças de forma geral. Quando elas não ganham o que realmente precisam, e não estou falando de bens materiais, mas de carinho, cuidado e proteção, elas se tornam mimadas, irritadas, fazem birra por qualquer motivo, não é mesmo? E você já parou para pensar em quantas brigas desnecessárias você já causou nos seus relacionamentos porque as coisas não saíram exatamente da forma que você queria?

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Nosso Eu criança, quando não recebe o nosso amor, se transforma naquele impulso de comprar o que der na telha, de comer doces de forma inconsequente, de procrastinar enquanto o trabalho se acumula na mesa ao lado. Crianças precisam de adultos que as ajudem a ter limites e de adultos que digam: “Você não precisa ter medo de resolver esse problema, isso é coisa de gente grande e eu, que já sou crescido, vou lá tratar desse assunto enquanto você fica aí desenhando unicórnios. Prometo que volto para brincar com você”.

Entende? Precisamos fazer as pazes com essa parte tão importante de nós, tanto para incorporar seus aspectos positivos na nossa vida, quanto para não deixar que o medo infundado e a falta de limites da nossa criança atrapalhem a nossa vida de adulto.

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No final do livro vamos encontrar um resumo de cada um desses ‘eus’ e um exercício de observação e harmonização com cada faceta nossa. Patrícia Gebrim sugere uma tabela para cada ‘Eu’ e colocarei aqui apenas algumas das perguntas para que você se motive a ler a obra inteira e ganhar mais consciência e autonomia na sua vida ;-]

Faça um esforço de entender essa parte sua e se pergunte em que situações sua criança aparece, do que ela está precisando e que compromisso você pode assumir com ela para que haja mais paz nessa relação. Observe o que te deixa irritado, onde está faltando leveza e alegria na sua vida, em que aspecto a sua criança anda precisando de limites e pergunte a ela do que ela necessita genuinamente.

Sim, é possível conversar com a nossa criança. Apenas feche os olhos, inspire e expire profundamente, direcione sua atenção para o centro do seu peito (que é onde ela mora) e veja a si mesmo, a criança que você foi (e que nunca deixará totalmente de ser) e se permita abraçá-la e ouvi-la. Não importa o quanto os outros feriram a sua criança, o quanto ela foi privada de amor, você é o adulto agora e ela não precisa mais ficar indefesa, à deriva. Resgate essa alegria primordial e traga mais cor para toda sua vida!

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Sobre a autora

Maya Lakshmi

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.

2 Comentários

  • É tão bonito trilhar essa jornada de autoconhecimento… Entendemos que não é necessário sofrer por feridas do passado, que não precisamos cultivar ou esconder nossas dores, mas sim curá-las e seguir em frente. Que texto encantador, hermana, me fez um bem danado. 😉

    • Obrigada ^^
      Estamos todos juntos nesse processo de autoconhecimento, alguns de olhos abertos e outros ainda tentando despertar.
      =***

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